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Evangelhos · Novo Testamento

Marcos 14

Capítulo 14 de 16 · 72 versículos · Bíblia Livre (domínio público)


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  1. 1

    E dali a dois dias era a Páscoa, e a festa dos pães sem fermento; e os chefes dos sacerdotes, e os escribas buscavam um meio de prendê-lo através de um engano, e o matarem.

  2. 2

    Pois diziam: “Não na festa, para que não aconteça tumulto entre o povo.”

  3. 3

    E estando ele em Betânia, na casa de Simão o Leproso, sentado à mesa, veio uma mulher, que tinha um vaso de alabastro, de óleo perfumado de nardo puro, de muito preço, e quebrando o vaso de alabastro, derramou-o sobre a cabeça dele.

  4. 4

    E houve alguns que em si mesmos se indignaram, e disseram: “Para que foi feito este desperdício do óleo perfumado?

  5. 5

    Porque este óleo perfumado podia ter sido vendido por mais de trezentos denários, e seria dado aos pobres.” E reclamavam contra ela.

  6. 6

    Porém Jesus disse: “Deixai-a; por que a incomodais? Ela me fez boa obra.

  7. 7

    Porque pobres sempre tendes convosco; e quando quiserdes, podeis lhes fazer bem; porém a mim, nem sempre me tendes.

  8. 8

    Esta fez o que podia; adiantou-se para ungir o meu corpo, para a sepultura.

  9. 9

    Em verdade vos digo, que onde quer que em todo o mundo o Evangelho for pregado, também o que esta fez será dito em sua memória.”

  10. 10

    E Judas Iscariotes, um dos doze, foi aos chefes dos sacerdotes, para o entregar a eles.

  11. 11

    E eles ouvindo, alegraram-se; e prometeram lhe dar dinheiro; e buscava como o entregaria em tempo oportuno.

  12. 12

    E o primeiro dia dos pães sem fermento, quando sacrificavam o cordeiro da Páscoa, seus discípulos lhe disseram: “Onde queres que vamos preparar para comerdes a Páscoa?”

  13. 13

    E mandou dois de seus discípulos, e disse-lhes: “Ide à cidade, e um homem que leva um cântaro de água vos encontrará, a ele segui.

  14. 14

    E onde quer que ele entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o cômodo onde comerei Páscoa com meus discípulos?

  15. 15

    E ele vos mostrará um grande salão, ornado e preparado; ali fazei os preparativos para nós.”

  16. 16

    E osdiscípulos saíram, e vieram à cidade, e acharam como havia lhes dito, e prepararam a Páscoa.

  17. 17

    E chegada a tarde, veio com os doze.

  18. 18

    E quando se sentaram à mesa, e comeram, Jesus disse: “Em verdade vos digo, que um de vós, que está comendo comigo, me trairá.”

  19. 19

    Eles começaram a se entristecer, e a lhe dizer um após outro: “Por acaso sou eu?”

  20. 20

    Porém ele lhes respondeu: “É um dos doze, o que está molhando a mão comigo no prato.

  21. 21

    Pois em verdade o Filho do homem vai, como está escrito sobre ele; mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído; bom lhe fosse ao tal homem não haver nascido.”

  22. 22

    E enquanto eles comiam, Jesus tomou o pão; e bendizendo, partiu-o, deu-lhes, e disse: “Tomai, isto é o meu corpo.”

  23. 23

    E tomando o copo, e dando graças, deu-lhes; e todos beberam dele.

  24. 24

    E disse-lhes: “Isto é o meu sangue, o do testamento, que é derramado por muitos.

  25. 25

    Em verdade vos digo, que não beberei mais do fruto da vide, até aquele dia, quando o beber novo no Reino de Deus.”

  26. 26

    E depois de cantarem um hino, saíram para o monte das Oliveiras.

  27. 27

    E Jesus lhes disse: “Todos vós vos ofendereis; porque está escrito: Ferirei ao pastor, e as ovelhas serão dispersas.

  28. 28

    Mas depois de eu haver ressuscitado, irei adiante de vós para a Galileia.”

  29. 29

    E Pedro lhe disse: “Ainda que todos se ofendam, porém eu não.”

  30. 30

    Jesus lhe disse: “Em verdade te digo, que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, me negarás três vezes.”

  31. 31

    Mas Pedro, insistindo, dizia: “Ainda que me seja necessário morrer contigo, em maneira nenhuma te negarei.” E todos diziam também da mesma maneira.

  32. 32

    E vieram ao lugar, cujo nome era Getsêmani, e disse a seus discípulos: “Sentai-vos aqui, enquanto eu oro.”

  33. 33

    E tomou consigo Pedro, Tiago, e João, e começou a ficar muito apavorado e angustiado.

  34. 34

    E disse-lhes: “Minha alma totalmente está triste até a morte; ficai-vos aqui, e vigiai.”

  35. 35

    Então ele foi um pouco mais adiante, e prostrou-se em terra. E orou, que se fosse possível, afastasse dele aquela hora.

  36. 36

    E disse: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; passa de mim este copo; porém não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres.”

  37. 37

    Depois veio de volta, e os achou dormindo; e disse a Pedro: “Simão, estás dormindo? Não podes vigiar uma hora?

  38. 38

    Vigiai, e orai, para que não entreis em tentação; o espírito em verdade está pronto, mas a carne é fraca.”

  39. 39

    E depois que se foi novamente, orou, dizendo as mesmas palavras.

  40. 40

    Quando voltou outra vez, achou-os dormindo; porque os olhos deles estavam pesados, e não sabiam o que lhe responder.

  41. 41

    E veio a terceira vez, e disse-lhes: “Ainda estais dormindo e descansando? Basta, chegada é a hora. Eis que o Filho do homem é entregue em mãos dos pecadores.

  42. 42

    Levantai-vos, vamos; eis que o que me trai está perto.

  43. 43

    E logo, enquanto ele ainda estava falando, veio Judas, que era um dos doze, e com ele uma multidão, com espadas e bastões, da parte dos chefes dos sacerdotes, dos escribas, dos anciãos.

  44. 44

    E o que o traía lhes tinha dado um sinal comum, dizendo: “Ao que eu beijar, é esse; prendei-o, e levai-o em segurança.”

  45. 45

    E quando veio, logo foi-se a ele, e disse-lhe: “Rabi”, e o beijou.

  46. 46

    Então o agarraram, e o prenderam.

  47. 47

    E um dos que estavam ali presentes puxou a espada, feriu o servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha.

  48. 48

    Jesus começou a lhes dizer: “Viestes me prender com espadas e bastões, como se eu fosse um bandido?

  49. 49

    Todo dia eu estava convosco no templo, ensinando, e não me prendestes; mas assim se faz para que as Escrituras se cumpram.”

  50. 50

    Então todos o deixaram, e fugiram.

  51. 51

    E certo rapaz o seguia, envolto num lençol sobre o corpo nu. E o agarraram.

  52. 52

    Mas ele largou o lençol, e fugiu nu.

  53. 53

    E levaram Jesus ao sumo sacerdote; e ajuntaram-se todos os chefes dos sacerdotes, os anciãos, e os escribas.

  54. 54

    E Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote, e ficou sentado com os oficiais, esquentando-se ao fogo.

  55. 55

    E os chefes dos sacerdotes, e todo o tribunal buscavam algum testemunho contra Jesus, para o matarem, e não o achavam.

  56. 56

    Porque muitos davam falso testemunho contra ele, mas os testemunhos não concordavam entre si.

  57. 57

    E alguns se levantavam e davam falso testemunho contra ele, dizendo:

  58. 58

    “Nós o ouvimos dizer: Eu derrubarei este templo feito por mãos, e em três dias construirei outro feito não por mãos.

  59. 59

    E nem assim o testemunho deles era concordante.

  60. 60

    Então o sumo sacerdote levantou-se no meio, e perguntou a Jesus: “Não respondes nada? O que estes testemunham contra ti?”

  61. 61

    Mas ele ficou calado, e nada respondeu. O sumo sacerdote voltou a lhe perguntar: “És tu o Cristo, o Filho daquele que é Bendito?”

  62. 62

    Jesus respondeu: “Eu sou. E vereis o Filho do homem sentado à direita do Poderoso, e vindo com as nuvens do céu.”

  63. 63

    E o sumo sacerdote, rasgando suas roupas, disse: “Para que mais necessitamos de testemunhas?

  64. 64

    Vós ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?” E todos o condenaram como culpado de morte.

  65. 65

    E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir o rosto dele; e a dar-lhe de socos, e dizer-lhe: “Profetiza”. E os oficiais o receberam com bofetadas.

  66. 66

    E, enquanto Pedro estava no pátio abaixo, veio uma das servas do sumo sacerdote.

  67. 67

    Quando ela viu Pedro, que estava sentado esquentando-se, olhou para ele, e disse: “Também tu estavas com Jesus, o Nazareno.”

  68. 68

    Mas ele negou, dizendo: “Não o conheço, nem sei o que dizes.”; e saiu para o alpendre.

  69. 69

    A serva o viu, e começou a dizer outra vez aos que ali estavam: “Este é um deles”.

  70. 70

    Mas ele o negou de novo. E pouco depois, outra vez os que ali estavam disseram a Pedro: “Verdadeiramente tu és um deles; pois também és galileu””.

  71. 71

    Então ele começou a amaldiçoar e a jurar, dizendo: “Não conheço esse homem de quem dizeis.”

  72. 72

    Imediatamente o galo cantou a segunda vez. E Pedro se lembrou da palavra que Jesus havia lhe dito: “Antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás três vezes.” Então ele retirou-se dali e chorou.